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Saúde da Mamãe
Pré-natal psicológico: a saúde emocional da gestante merece cuidado!

23 de novembro de 2017

Conheça a importância do acompanhamento psicológico durante a gestação

Pré-natal psicológico: a saúde emocional da gestante merece cuidado!

Gerar um filho traz inúmeras mudanças ao corpo, à rotina, à casa e à vida pessoal. Com esse turbilhão de novidades, cada vez mais mamães têm buscado o apoio de um profissional especializado por meio do pré-natal psicológico – o que tem feito toda a diferença para passar com tranquilidade por essa fase. Convidamos a psicóloga e diretora da organização De Umbiguinho a Umbigão, Karla Cerávolo, para explicar com detalhes como funciona o acompanhamento psicológico na gestação. Confira:

Quais as principais mudanças emocionais pelas quais as gestantes passam?

Muitos aspectos emocionais ocultos são desvelados e ativados com a chegada de um filho. A ambivalência está muito presente nos sentimentos delas hoje. São mulheres que trabalham, que são líderes, que estão em ascensão profissional e que sofrem influência da grande demanda de informação que chega em suas mãos a todo momento e elas não veem como incluir a responsabilidade de cuidar de um bebê. O excesso de informação causa ansiedade, medo e insegurança, aumentando o nível de exigência sobre a gestante/mãe, impossibilitando a vivência tranquila e natural da maternidade. É comum encontrarmos mulheres que não sentem-se preparadas para ter filhos ou que não querem engravidar de forma alguma, diante da pressão que sofrem, vinda dos outros e, principalmente, de si próprias.

Qual a importância do pré-natal psicológico?

Ao se preparar emocionalmente para a chegada do filho, a mulher poderá sentir-se mais segura, observar quais as suas necessidades primárias (de filha), olhar para sua história e se preparar para ocupar esse novo espaço na sociedade, com tranquilidade e respeito por si mesma. É nesse momento, durante os nove meses, que a mulher poderá se ver como mãe, prevenir adoecimentos emocionais como a depressão pós-parto e entrar em contato com a “mãe que ela quer ser” e não pautar sua experiência nas histórias que ela ouve ou vê na internet.

Qual o melhor momento para começar o pré-natal psicológico? Por quê?

Tenho pacientes que estão comigo se preparando para engravidar. É cada vez mais comum receber mulheres que, antes mesmo de estarem grávidas, querem falar sobre o assunto. Hoje em dia, sabemos o quanto é importante esse cuidado com os aspectos emocionais da mulher. Antigamente, nossas mães e avós não sabiam disso. Era natural que a mulher se casasse e tivesse filhos. Isso era prioridade. Mas na atualidade, mulheres são tudo o que quiserem. Podem conquistar o espaço que quiserem, tomar as decisões que quiserem, inclusive a de não ser mãe. O momento certo para se cuidar emocionalmente é sempre. Descobriu que está grávida? Ligue para o obstetra e agende sua consulta e, em seguida, procure um terapeuta especializado nessa área.

Como acontece o pré-natal psicológico?

Pode acontecer individualmente ou em grupo. O processo tem tempo e objetivos limitados, com ênfase no presente, nos conflitos atuais e nas principais relações interpessoais daquele momento, que estão diretamente ligadas à gestante. Durante o pré-natal psicológico, a gestante se prepara para encontrar o bebê real e muitas vezes, ele é muito diferente do imaginário, dificultando a formação de vínculo entre mãe e filho. Quando a mulher se prepara emocionalmente, pode viver esse encontro com seu filho e viver o puerpério de forma mais saudável, equilibrada e feliz. O processo em grupo é muito rico também. As mulheres compartilham suas alegrias, ansiedades, inseguranças, o que aumenta a confiança para a chegada do bebê.

Pai e familiares também participam?

O pai é sempre bem-vindo. Eu gosto muito de envolver o casal no processo, pois, muitas vezes, os pais são deixados de lado e não têm seus sentimentos reconhecidos. A depressão pós-parto, por exemplo, é muito comum em homens também. A pressão que eles sofrem, os medos, a experiência que eles têm durante a infância e anseios profissionais afetam sua relação com o filho e devem ser observados. Também gosto de convidar a mãe e, algumas vezes, até a sogra da gestante. A mulher traz consigo experiências aprendidas por sua figura maternante (mãe, tia, avó) que irão se repetir ou que ela lutará para fazer diferente com seu filho. A relação da gestante com sua mãe está intimamente ligada com suas atitudes e é importante, nesse momento, perceber e reconhecer os sentimentos bons e ruins que ela carrega e descarregará, inevitavelmente, sobre seu filho.

A depressão pós-parto pode ser evitada com o pré-natal psicológico?

O pré-natal psicológico ajuda a identificar e prevenir possíveis transtornos, entre eles a depressão pós-parto. Geralmente, as pacientes que vêm ao consultório com sintomas de depressão estão relacionadas com tendência ou histórico de depressão, alterações hormonais, problemas com o parceiro, luto na família, insegurança sobre ser uma boa mãe, escolhas difíceis a serem tomadas em relação ao trabalho. Havendo o acompanhamento pré-natal, é mais fácil prevenir. Toda mulher se prepara para estar feliz com seu bebê nos braços e os sentimentos de tristeza, frustração e medo são negligenciados. Toda atenção é necessária para mãe e bebê nesse começo da vida.

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