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Saúde da Mamãe
A importância da amamentação nos primeiros mil dias do bebê

11 de novembro de 2019

Durante esse tempo há uma oportunidade única de moldar um futuro mais saudável

A importância da amamentação nos primeiros mil dias do bebê

Os primeiros mil dias de um bebê englobam o período gestacional e seus primeiros dois anos de vida. Durante esse tempo há uma janela incrível e única de oportunidade de moldar um futuro mais saudável. A amamentação, por exemplo, exerce um papel insubstituível de favorecimento dessa programação metabólica. Muito além de nutrir o bebê, ela é capaz de prevenir diversas doenças, como obesidade, diabetes e alergias. E não é apenas pela saúde desse novo ser, a mãe que amamenta também diminui consideravelmente riscos de cânceres e recupera a forma mais rapidamente. Em entrevista ao Manual da Mamãe, a consultora em amamentação Mariana Lamante e a nutricionista materno-infantil Letícia Blazi esclarecem como fortalecer a amamentação neste período tão importante:

O momento do parto pode influenciar na amamentação?
Mariana: Sim, e muito! Independentemente da sua via de parto (vaginal ou cesariana), as condições em que ele acontecerá irão determinar um início de vida do seu bebê mais favorável ou não à amamentação, proporcionando uma cascata de eventos positivos ou negativos dali pra frente. Um parto humanizado, respeitoso, obedecendo às boas práticas recomendadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), tende a favorecer a amamentação.

O que é Golden Hour ou Hora Dourada?
Mariana: É a primeira hora de vida do seu bebê. Assim que nasce, o recomendado é que ele fique em contato ininterrupto pele a pele com você. Essa não separação entre mãe e bebê em tempo algum permite que se dê ali mesmo na sala de parto, o início da amamentação, ainda na primeira hora após o parto. Ali acontece a mágica! Ao sentir e ver seu bebê, hormônios são automaticamente liberados no seu sangue para que o leite comece a ser produzido e desça. A Golden Hour proporciona: início da amamentação precoce; aumento de até 4 meses na duração total da amamentação; redução de mortalidade neonatal; regulação da temperatura corporal do bebê; e início do vínculo extrauterino entre você e seu bebê.

Quanto mais eu amamento meu bebê mais benefícios ele tem?
Mariana: Sim! O leite materno nunca perde seu valor! A orientação é que bebês sejam amamentados exclusivamente com leite materno até o sexto mês de vida (crucial para prevenção de doenças) e como complemento na alimentação até o segundo ano de vida ou mais. Foi comprovado por pesquisa recente que bebês amamentados por doze meses ou mais têm aumento de até 4 pontos de QI (Quociente de Inteligência), aumento de nível de escolaridade e de renda mensal. São nos dois primeiros anos de vida da criança que acontece o maior estirão de crescimento do ser humano. Além disso, esse período é fundamental para o desenvolvimento imunológico, neurológico e para a formação de bons hábitos alimentares, aumentando as chances de um adulto saudável no futuro.

Meu bebê chora muito, está passando fome?
Letícia: É importante saber que o bebê nasce com o estômago do tamanho de uma cereja, cabem ali em torno de 5 ml. Com isso, é comum e esperado que ele solicite o peito com maior frequência. Outro ponto importante a ser lembrado, é de que o bebê não sabe se comunicar de outra forma, nem sempre o choro representa fome e é também no aconchego do colo e no peito que ele se sente seguro e amparado.

Como saber se meu bebê está mamando o suficiente e que meu leite não é “fraco”?
Mariana: Alguns sinais simples para saber que a amamentação está sendo eficiente são: bebê mais ativo no início da mamada e mais calmo após a mamada, mamas mais macias após as mamadas, ganho de peso em curva ascendente, troca de fraldas constante com urina clara ao longo do dia.
Letícia: É importante lembrar que o leite materno é um alimento vivo, que se molda diariamente para atender às necessidades do recém-nascido. No entanto, se a mãe apresenta deficiências graves, como anemia ou carência de alguma vitamina, o seu leite pode, naturalmente, refletir esse quadro. Isso nos alerta para a importância do cuidado da alimentação da mãe, que deve ser variada e equilibrada. Muitas vezes uma suplementação individualizada se faz necessária.

Quais alimentos não devo consumir para evitar ou diminuir as cólicas?
Letícia: De forma geral, nenhum alimento precisa ser retirado da dieta materna. É essencial que a mamãe consuma alimentos saudáveis e tente variar ao máximo sua alimentação. Sendo assim, não existe preocupação em retirar feijão, alho, cebola etc. Porém, é sempre importante avaliar cada mãe e cada bebê para verificar se há necessidade de alguma exclusão. O uso de probióticos desde a gestação pode colaborar com a prevenção das crises. Alimentos que não devem fazer parte do consumo diário, desde a gestação, são os ultraprocessados, ricos em açúcares e gorduras hidrogenadas, estimulantes, corantes e adoçantes artificiais.

Como aumentar minha produção de leite?
Letícia: A natureza é sábia! No início, nosso corpo não sabe quanto de leite deve produzir para atender a demanda desse novo ser. Porém, quanto mais o bebê mamar, mais leite será produzido. Por isso é tão importante que a amamentação seja em livre demanda. A hidratação é fundamental nesse momento. Sempre amamente ao lado de um copo grande de água, seu corpo vai pedir! Mantenha uma alimentação baseada em comida de verdade, diversificada e nutritiva. Seu leite será muito mais rico. Além disso, o estresse é grande inimigo da amamentação, bloqueando hormônios necessários nesse processo. Dentro do possível, tente descansar. Ao amamentar, coloque uma música calma e relaxante, os benefícios da musicoterapia já são comprovados. Em último caso, alguns fitoterápicos podem ajudar. Converse com seu nutricionista. E repita sempre, como um mantra: peito é fábrica, não é estoque!

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