A gravidez é um estado especial também no que diz respeito às adaptações fisiológicas que ocorrem no corpo da mulher durante o período. Muitos tecidos e órgãos, além do metabolismo em geral, estão funcionando de forma diferente da mulher não grávida. Assim, é de se esperar que vários exames laboratoriais tenham valores alterados neste período. Essas alterações são compatíveis com a gravidez e devem ser interpretadas e avaliadas sempre se levando em consideração esta situação. Muitos exames comuns, inclusive aqueles normalmente solicitados como rotina no pré-natal, podem apresentar resultados diferentes dos valores de referência indicados no laudo, pois não é usual os laboratórios clínicos possuírem referências específicas para cada fase da gravidez.

Hemograma

Um exemplo bem comum, que por vezes assusta algumas grávidas, são os resultados de Hemograma. Na série vermelha, em que se avalia a presença de anemias, é usual que uma gestante apresente valores de hemácias, hemoglobina e hematócrito abaixo dos índices que ela apresentava anteriormente à gestação. Esses índices podem, inclusive, estar abaixo dos valores de referência, o que se denomina pseudoanemia da gravidez.
Isso acontece porque, durante a gestação, ocorre uma hemodiluição do sangue, que se inicia a partir da sexta semana e se estabiliza a partir da 20ª. Dessa forma, para o diagnóstico correto de anemia na gravidez, o médico leva em consideração outros dados clínicos e laboratoriais, além do histórico da gestante.

Ainda no hemograma, o número de neutrófilos (células brancas) também pode estar aumentado e é comum o aparecimento de neutrófilos imaturos, como metamielócitos e mielócitos, além de presença de granulações tóxicas. Esses achados, fora do contexto da gravidez, podem levar a um diagnóstico de quadro infeccioso. Do mesmo modo que para anemia, é fundamental a correlação com outros parâmetros para um diagnóstico correto.

Outros exames

Outros exemplos de testes que se alteram neste período e devem ser avaliados de forma bastante cuidadosa são os de atividade tiroidiana. Os hormônios T3 e T4 tendem a aumentar, devido à alteração de concentração e afinidade de proteínas transportadoras destes hormônios. Já as frações livres destes hormônios, o T3L e T4L, em geral, tendem a estar reduzidas com ligeiro aumento do THS. O diagnóstico de diabetes durante a gestação também é feito de maneira peculiar e os testes de GTT (teste de tolerância à glicose) têm valores de referência específicos para esta fase.

Com relação à coagulação do sangue, vários testes que envolvem diagnóstico de doenças hemorrágicas ou trombóticas estão alterados durante a gravidez. A pesquisa laboratorial para estudo de trombofilia geralmente é evitada durante este período, pois pode produzir resultados de difícil interpretação. Este estudo, importante principalmente em mulheres que já apresentaram abortamentos, deve ser feito antes da gravidez.

Outros tipos de testes que podem trazer preocupações são os exames sorológicos para doenças infecciosas que podem trazer problemas para o feto. Solicitados como rotina no pré-natal, não é raro o achado de anticorpos inespecíficos, mais comuns nas grávidas, levando a resultados falso-positivos.

Orientação

Resumindo, todo exame laboratorial exige experiência e correlação com outros dados na sua interpretação. Durante o período gestacional este fato é ainda mais relevante e o conhecimento da fisiologia da gravidez é fundamental para que os exames sejam uma ferramenta adequada para o acompanhamento destes meses tão importantes na vida da mulher.

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