Atitudes que podem salvar o dente da criança em caso de trauma dentário

A curiosidade para explorar as novidades e a fase do aprender a andar, aliadas à inquietação e falta de coordenação motora, típicas da primeira infância, podem acabar na fratura de um dente. Pesquisas brasileiras recentes mostram que essa situação é frequente: varia de 14% a 36%, dependendo da fonte estatística, em crianças de um a quatro anos. A situação sempre assusta os pais que ficam sem saber o que fazer nesse momento de emergência.

A odontopediatra Dra. Érica Bicalho Mendes orienta que no momento do trauma a família deve tentar manter a calma, estancar o sangramento com gaze, toalha ou gelo e levar a criança ao dentista. Se houver avulsão ou fratura do dente, procurar o pedaço e guardá-lo no soro. “Isso aumentará as chances de sucesso, pois no caso da queda do dente permanente, este deve ser reimplantado o quanto antes. Porém, na dentição de leite não se faz reimplante dental devido ao risco de prejudicar a dentição permanente que está por vir”, afirma.

Segundo a Dra. Érica, de zero a três anos de idade, as lesões que caracterizam o trauma dental estão mais relacionadas com a luxação do dente decíduo, isso porque o osso é mais esponjoso e maleável, o que leva à absorção do impacto. Já em crianças maiores o osso tem mais dureza, neste caso é mais comum a fratura e avulsão do dente.O atendimento odontológico rápido e eficaz no momento do trauma, ressalta a especialista, é de suma importância para um bom diagnóstico, um tratamento adequado e, assim, uma boa reparação dos dentes, gengiva e osso traumatizados. Além disso, ela explica que é preciso acompanhar a saúde dental dessa criança com visitas periódicas ao dentista.

Independentemente do tipo de traumatismo que a criança sofreu, após os cuidados imediatos o acompanhamento clínico e radiográfico da região traumatizada é importante, pois os dentes traumatizados podem sofrer desde uma simples alteração na cor da coroa, infecção, ou reabsorção da raiz e do osso, até sua perda. “Paralelamente, o trauma na dentição decídua também pode ocasionar má-formações nos sucessores permanentes”, reitera a odontopediatra.

Prevenir

Para prevenir situações propícias ao trauma dental, mantenha o seu filho sob supervisão, tome cuidado com escadas, compre sapatos adequados, coloque grades na cama, e evite ângulos vivos nos móveis e objetos da casa e brinquedos não recomendados para a idade. Ainda, durante a prática de esportes, as crianças e adolescentes devem usar equipamentos de proteção individual, como capacetes e protetores bucais.