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Saúde do Bebê
Semana Mundial do Aleitamento Materno: amamentação sem cobranças

3 de agosto de 2018

O fundamental é que a mulher possa ter a quem recorrer para que seu desejo de amamentar não fracasse

Semana Mundial do Aleitamento Materno: amamentação sem cobranças

Por Fernanda Baptista

Comemora-se do dia 1º ao dia 7 de agosto a Semana Mundial do Aleitamento Materno, instituída em 1948 pela OMS, tendo em sua origem o foco na Sobrevivência, Proteção e Desenvolvimento da criança. Nesta semana temos uma intensificação das campanhas em prol do aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de idade, a importância da amamentação prolongada até os 2 anos ou mais. Muitas são as notícias que afirmam os inegáveis benefícios nutricionais do leite materno, que a ciência já comprovou que nenhum leite artificial se iguala em matéria de riqueza nutricional e imunológica para os bebês.

O Brasil está entre os 120 países que adotaram essa missão de incentivo ao AM, e vale lembrar que toda essa campanha foi idealizada a partir de um projeto de diminuição da mortalidade infantil, que, muito acertadamente, o tema escolhido desse ano retomou – Amamentação é a base da vida: “De modo geral, o aleitamento contribui para a saúde, o bem-estar e sobrevivência de mulheres e crianças em todo o mundo” (WABA – Semana Mundial da Amamentação no Brasil).

Sim, o aleitamento salva vidas, muitas. Focar nesse aspecto é dar muito mais dignidade a uma prática que tem por fundamento nutrir. Desvincular amamentação de vínculo, amor e entrega é um baita serviço para a saúde mental das mulheres com seus bebês. Que tudo isso possa se ter ao amamentar, que maravilha! De outros modos também se pode, não tenho a menor dúvida disso. É por isso que não cabe essa equação peito=amor=vínculo. Isso não significa jogar tudo fora e dizer que se é assim, tanto faz.

O “oito ou oitenta” típico nessas horas de dificuldades, só nos tira o corpo fora, nos exime de bancar o desejo e assumir com ele suas fragilidades e incertezas nos resultados. Há escolhas, desvios, e o fundamental nesse momento é que a mulher possa ter a quem recorrer para que seu desejo não fracasse por incompetência da assistência, seja ainda no hospital, ou nos consultórios de pediatria, obstetrícia e até psicologia, com seus saberes na ponta da língua e seus fiéis patrocinadores.

As campanhas servem para lembrar que é preciso apoiar quem decide amamentar, e para isso é necessário que tomemos nota da artificialidade do processo para o humano. As campanhas, sabemos, são feitas no para todos, sem muitas aberturas para um mar de contingências e particularidades que envolve qualquer processo humano, já que não há nada de natural em nós. Somos seres de linguagem, imersos e submersos nela, que tropeçamos em nós mesmos o tempo todo. Por isso, me pareceu tão acertado o uso do “De modo geral” que a campanha se utiliza para ponderar minimante a vasta experiência possível que existe no ato de dar o peito.

Ainda, para finalizar, não vamos colocar os bebês no ranking da amamentação. Bebês que mamam são mais (…) uma infinidade de louros! Se desejar amamentar, busque apoio, se informe, persista o quanto for possível, mas precisamos parar definitivamente de dar medalhas de ouro, prata, bronze ou latão para esses bebês que estão ali sem saber muito bem a que vieram, e que vão se virando como podem com sua teta ou seu bico de mamadeira, no curso da vida, pura incerteza.

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