Política de Privacidade Como Anunciar
Filtrar por Semana de Gestação
Crescimento Infantil
75% dos adolescentes têm problemas emocionais, aponta pesquisa

28 de Março de 2019

Depressão, bulimia, anorexia, síndrome do pânico e crise de ansiedade são os problemas mais comuns

75% dos adolescentes têm problemas emocionais, aponta pesquisa

Uma pesquisa realizada em escolas públicas e privadas de cinco capitais brasileiras apontou que 75% dos 3.115 adolescentes de 11 a 17 anos ouvidos demonstraram ter algum tipo de adoecimento emocional ou mental, como depressão em diferentes graus, bulimia, anorexia, síndrome do pânico, crise de ansiedade, uso abusivo de álcool, automutilação.

O estudo foi realizado pelo neuropsicólogo Hugo Monteiro Ferreira, professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco. O pesquisador verificou que os adoecimentos acontecem em todas as classes sociais, mas se manifestam de maneiras distintas, conforme a renda da família. “O percentual de pessoas com síndrome do pânico é maior na classe média do que nas classes mais vulneráveis. Já entre os mais pobres, o adoecimento tende a ser mais ligado à violência”, explica.

Dentre os 3.115 estudantes que responderam ao questionário, Ferreira selecionou 238 adolescentes que demonstraram alto grau de comprometimento emocional para entrevistas mais elaboradas.

“Verifiquei que todos eles eram vítimas de bullying. E posso dizer que isso deixa traumas psiquiátricos e psicológicos que são levados para a vida adulta. Essa vítima tende a ficar violenta, direcionando a agressão a si mesma ou a outras pessoas”, explica o pesquisador.

O neuropsicólogo usa o termo “Geração do Quarto” para definir esses jovens nascidos no século 21 que vivenciam um grande isolamento e fazem uso intenso da internet. Inclusive, o resultado de sua pesquisa foi compilado no livro “A Geração do Quarto: Quando Crianças e Adolescentes Nos Ensinam a Amar”, que será lançado no segundo semestre deste ano.

Nas mãos dos pais

Para Hugo, só a mudança no comportamento dos pais pode mudar a realidade dos adolescentes em sofrimento. Na pesquisa, a maioria dos entrevistados reclamou da dificuldade que os adultos têm em interagir com eles e da falta de diálogo. “Há uma terceirização na educação da criança e um grande isolamento e silenciamento nas casas. Existe pouca escuta e troca afetiva. E os pais também são dependentes das redes sociais”, afirma.

A recomendação de Ferreira para evitar o adoecimento emocional dos jovens é o acompanhamento da vida dos filhos, tanto a real quanto a virtual.

“Converse com a criança sobre o que ela tem visto na internet, selecione o que ela pode ver. Criança tem que ser orientada e ouvida sobre isso. Já com os adolescentes deve-se estabelecer regras, limitando o tempo na web. É preciso acompanhar os filmes, séries, músicas que estão sendo acessados”, diz o psicólogo, lembrando que jogos extremamente violentos devem ser proibidos de maneira propositiva –ou seja, explicando o motivo pelo qual houve a censura.

VAMOS COMPARTILHAR?

COMENTÁRIOS